Se antes, com a Web 1.0, o internauta era um mero espectador, a partir da Web 2.0 ele se tornou um ator: ganhou mais poder e passou a ser visto como protagonista na geração de conteúdo. Não se faz necessário procurar a demarcação de datas nem eventos que separam tais “fases” (nem seria tão simples assim); no entanto, é interessante considerá-las como processos evolutivos de um modo de usar e se servir da internet.
Não acredito que seja apenas uma jogada de marketing, como defendem algumas pessoas. Existe, sim, a polêmica em torno do termo Web 2.0, e até negação da existência da Web 1.0; mas, na minha opinião, não há como desacreditar que tenha existido uma “preliminar” bastante diferente e que agora estejamos em uma nova era digital.
Para entender mais detalhadamente, pode-se considerar que no modo Web 1.0 somente os responsáveis por cada página podiam colocar informação na rede. A maneira de “participar” era somente com a leitura de textos, visualização de fotos etc. Um processo bastante unidirecional, já que não havia feedback, muito menos a participação direta do internauta na elaboração do conteúdo. Com o que considero evolução, essa “estrada” passou a ser sinalizada como mão-dupla.
Com a Web 2.0, os sites passaram a permitir que os usuários coloquem no ar ou modifiquem um conteúdo produzido por eles e reconhece que o foco é no “para eles”, ou seja, o direcionamento é nos vários tipos de público.
Mas o fato de existirem tantos “leitores” diferentes não complicou, pelo contrário, selecionou e facilitou a segregação de acordo com os interesses e afinidades. Isso mudou costumes enraizados. Tenho o exemplo da Enciclopédia Barsa, que tinha na versão impressa uma coleção de grande sucesso nas livrarias. Logo que foi digitalizada, se tornou uma promessa de lucro. Mas foi desbancada pelo poder que o internauta passou a ter... A Wikipédia, então, se transformou no grande símbolo da transformação desses tempos. Uma enciclopédia produzida por pessoas comuns passou a dar as respostas mais procuradas para todo tipo de pergunta.
E a desconfiança nesse tipo de material é outra marca dessa evolução. É tanta informação, tanta interação nos conteúdos on-line hoje, que é impossível confiar em uma só fonte de pesquisa, como acontecia dos tempos idos da Enciclopédia Barsa. Assim, os usuários da internet passaram a interagir mais, mas também aprenderam a confiar menos nos conteúdos apresentados. Isso é bom porque aumenta a curiosidade e instiga o senso crítico.
Como vários endereços podem ter seus conteúdos modificados, é maior a expectativa do internauta – tanto do não-participativo, quanto daquele que interage com outros usuários. Ambos têm chance e vão querer aprender mais a lidar com a ferramenta que têm nas mãos, seja para simples pesquisa ou para expressão de opinião ou serviço, por exemplo.
O site ww0.busonline.com.br é um bom exemplo da gama de possibilidades proporcionada pela Web 2.0. Gratuitamente, oferece um dos serviços mais requisitados para a empresa que faz transporte público em Belo Horizonte. A capital de Minas Gerais conta somente com o serviço de informações sobre linhas de ônibus urbanos por telefone, e, claro, o atendimento é de péssima qualidade, está sempre ocupado etc. E (ao que pude saber em uma primeira apuração) foram estudantes de uma universidade pública (UFMG) que desenvolveram esse site de busca de linhas, itinerários e serviços citado acima. O sucesso já é grande entre internautas belorizontinos, mesmo sem terem sido feitas campanhas de divulgação, que antes de se deslocar para diferentes regiões da cidade, muitas pessoas consultam o site para saber qual o melhor itinerário e quantas conduções são necessárias.
domingo, 21 de setembro de 2008
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Um comentário:
Oi,
Texto excelente, impecável. Achei muito importante a tua referência à necessidade de juízo crítico como forma de avaliar a avalancha de informações na Web 2.0.
Um abraço
Castilho
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